
Ensinar as primeiras continhas vai muito além dos números: é uma oportunidade preciosa para desenvolver o raciocínio lógico, a autonomia e habilidades socioemocionais como paciência e cooperação. Na Educação Infantil, a introdução à matemática deve ser uma jornada de descobertas — partindo sempre da manipulação concreta para que o conceito de “juntar” faça sentido real para a criança. Para atividades práticas e prontas para aplicar, veja também as atividades de adição para Educação Infantil.
Como introduzir a adição: do concreto ao abstrato
A transição do mundo físico para os símbolos matemáticos deve ser gradual e respeitosa com o desenvolvimento da criança. Queimar etapas cria lacunas que aparecem depois como dificuldades em operações mais complexas. Antes de introduzir a adição, é essencial que a criança já reconheça os numerais com segurança — confira as atividades lúdicas de reconhecimento de números para consolidar essa base. Siga este caminho de três fases:
1) Fase concreta
Use objetos reais (frutas, tampinhas, brinquedos). Exemplo: “Temos 2 maçãs e ganhamos mais 1. Com quantas ficamos?”
2) Fase pictórica
Represente as quantidades com desenhos, bolinhas ou traços no papel. O símbolo matemático ainda não aparece.
3) Fase abstrata
Somente agora introduza numerais e sinais matemáticos. A criança já entende o que eles representam.

Por que essa sequência importa? O cérebro infantil precisa construir o conceito antes de lidar com o símbolo. Apresentar o sinal de adição antes da experiência concreta é como ensinar uma palavra em outro idioma sem mostrar o que ela significa.
4 jogos e atividades lúdicas de adição
A seguir, atividades testadas em sala que tornam o aprendizado da adição concreto, divertido e significativo:
1) A máquina de somar
Como fazer: use uma caixa de papelão com dois tubos (rolos) no topo. A criança joga uma quantidade de tampinhas em cada tubo. Ao final, abre a caixa e conta o total reunido.
Objetivo: visualizar fisicamente a ação de juntar dois grupos de objetos.

2) Dados e peças de montar
Como fazer: a criança lança dois dados e pega a quantidade de blocos indicada por cada um. Une tudo em uma torre e conta quantas peças tem no total. Essa estrutura de lançar, reagir e acumular é um dos princípios centrais da gamificação na Educação Infantil — que mostra como transformar qualquer atividade matemática em desafio motivador.
Objetivo: relacionar números ao acaso com a construção de uma quantidade somada, trabalhando concentração e motricidade fina.
3) O pomar das continhas
Como fazer: desenhe uma árvore grande em papel kraft. Peça à criança que coloque bolinhas de massinha em cada galho. Pergunte: “Quantas frutas temos ao todo?”
Objetivo: trabalhar adição em um contexto narrativo e visual, desenvolvendo criatividade e linguagem oral.
4) Balde das tampinhas coloridas
Como fazer: separe tampinhas de duas cores. A criança sorteia um cartão com duas quantidades e coloca a quantidade certa de tampinhas de cada cor em um balde, contando o total no final.
Objetivo: reforçar que parcelas diferentes formam um único total e que trocar a ordem não muda o resultado.
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Dicas para o sucesso na alfabetização matemática
Além das atividades em si, a postura do educador faz toda a diferença. Algumas práticas simples criam um ambiente onde a criança se sente segura para errar, tentar e descobrir:
- Use vocabulário variado: além de “somar”, use “juntar”, “ganhar”, “acrescentar” e “reunir”.
- Valorize contar nos dedos: é uma estratégia legítima de apoio ao pensamento nessa fase.
- Erros são aprendizados: em vez de corrigir direto, peça para contar novamente devagar, apontando cada objeto.
- Integre com linguagem: incentive histórias para as continhas (“Eram 2 gatinhos e chegou mais 1…”).
Adaptando para diferentes faixas etárias
Respeitar o nível de desenvolvimento de cada criança é o que transforma uma atividade em aprendizado real:
| Faixa etária | Foco da atividade | Exemplo prático |
|---|---|---|
| 3–4 anos | Somas até 5, com objetos grandes e coloridos. Zero registro escrito. | “Coloca 2 ursinhos aqui e mais 1 ali. Quantos temos?” |
| 4–5 anos | Somas até 10 com material concreto. Pode introduzir desenhos para representar. | Balde de tampinhas, pomar de massinha, torre de blocos. |
| 5–6 anos | Introdução ao registro escrito após experiência concreta. | Depois do jogo, registrar junto no caderno. |
| 1º ano (EF) | Problemas simples com contexto; explorar troca da ordem das parcelas. | “Será que 3 + 2 e 2 + 3 dão o mesmo resultado?” |
Perguntas frequentes
Com que idade a criança deve aprender a somar?
Meu aluno não consegue somar nem com os dedos — o que fazer?
Como a BNCC orienta o ensino de adição na Educação Infantil?
Posso usar apps e jogos digitais para ensinar adição?
Continue explorando
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